4 MIL ANGOLANOS À ESPERA DE TRANSPLANTE DE RIM

4 MIL ANGOLANOS À ESPERA DE TRANSPLANTE DE RIM

25 Outubro, 2016 0 Por Staline Satola

O país ainda não dispõe de uma legislação que autorize o transplante do órgão, apesar de já haver uma proposta de lei há anos na Assembleia Nacional.

Na ausência de uma permissão legal que autorize o transplante de rim, o recurso à hemodiálise tem sido a única saída para a grande maioria de pessoas que padece de insuficiência renal. Outros, com mais possibilidades, têm recorrido ao exterior à busca de soluções, segundo revelou ontem a OPAIS Manuel Domingos, secretário-geral da Associação Angolana de Doentes Renais.

De acordo com o responsável, cresce o número de pessoas diagnosticadas com a doença. Até ao momento, como deu a conhecer, o número já ultrapassou as quatro mil pessoas que aguardam por um transplante.

A faixa etária dos 20 aos 60 anos é a que apresenta mais problemas ligados ao órgão renal, o que constitui uma grande preocupação, por afectar parte significativa da força activa do país.

Segundo Manuel Domingos, a falta de legislação tem criado grandes dificuldades na qualidade de vida dos doentes renais que, por não serem transplantados, vêm assim a vida encurtada, apesar das sessões de hemodialise a que são submetidos várias vezes por semana. Por seu lado, fontes do Ministério da Saúde revelaram que já existe um projecto de lei de transplante de órgãos humanos em posse há anos na Assembleia Nacional, faltando apenas a sua aprovação.

Porém, enquanto não há nenhum sinal positivo neste sentido, Manuel Domingos atestou que a situação dos doentes renais no país vai-se degradando, pelo que apela ao “bom senso” das autoridades competentes para acelerarem o processo.

No entanto, conforme revelou, só em Luanda, 10 mil pessoas morrem anualmente com complicações ligadas ao rim. Para a fonte, estas mortes poderiam ser evitadas caso houvesse no país uma autorização legal que permitisse a autorização de transplantes deste órgão vital, que há muito tempo tem sido o grito de socorro dos pacientes, médicos e familiares.

“Somos muitos à espera de transplante. O Estado precisa fazer alguma coisa por nós, porque também somos cidadãos. Não podemos continuar estar presos a hemodiálise. É uma rotina desgastante e que nos rouba muito tempo”, frisou.

Manuel Domingos acredita ainda que a não aprovação da lei do transplante revela bem o abandono a que são submetidos os doentes renais, que, devido ao estigma em volta da doença, ainda enfrentam sérios problemas sociais.

“Fala-se pouco dos doentes renais, há ainda muito preconceito parte dos nossos associados estão desempregados e enfrentam dificuldades em casa porque as pessoas não aprenderam a lidar com a doença. E isso nos entristece”, lamentou o responsável associativo, que reclama por mais discussão e reflexão em torno da situação dos doentes renais.

 

 

Fonte: OPAÍS