Angola

Dar à luz antes da maioridade

A falta de domínio dos métodos contraceptivos, de educação sexual e de locais de entretenimento são apontados por socióloga e sacerdotes como alguns dos factores que contribuem para que muitas adolescentes fiquem gravidas precocemente.

Domingas José, 19 anos, é uma das centenas de adolescentes residentes no sector do Toco, comuna do Hoque, província da Huila, que por falta de orientação sexual fez um filho antes de atingir a maioridade.

Aos 14 anos de idade ficou concebida pela primeira vez e deu à luz uma menina que já conta quatro anos de idade.

No momento em que prestava tais declarações a OPAÍS, estava grávida do seu terceiro filho.

“Eu e o meu esposo contamos também com o apoio dos nossos pais para sustentar os nossos filhos”, disse.

Contou que a situação complica-se apenas naquelas circunstâncias em que as crianças ficam doentes por não terem uma unidade hospitalar próxima a funcionar 24/24.

Por este motivo, está entre os 22 mil habitantes do sector, segundo o Censo 2014, que diariamente suplicam a Deus que conceda a graça de o Centro Materno Infantil Nossa Senhora da Muxima abrir as portas ao público o mais breve possível.

Enquanto isso não acontece, conscientes dos riscos de vida que correm se não forem medicadas nesta fase, as gestantes fazem as consultas pré-natal no único Posto de Saúde do Toco, que funciona de Segunda a Sexta-feira, das 08h30 às 15h00, rezando para que as dores de parto não surjam à noite.

Domingas José desabafou que ficava apavorada só de pensar que teria que percorrer, sentido as contrações, os cerca de 40 quilómetros de distância que separa a sede do Toco da Maternidade Irene Neto, situada na cidade do Lubango.

Sacrifício que teve que fazer há quatro anos para trazer ao mundo a sua primogénita sem pôr em risco a vida de ambas. Esclareceu que o seu temor deve- se, essencialmente ao facto de a única ambulância, afecta à Paróquia de Nossa Senhora da Muxima do Toco, que estava disponível para transportar os doentes em estado grave da comunidade à maternidade estar avariada.

“Gostaria que esse centro materno infantil do Toco fosse já aberto ao público para deixarmos de percorrer longas distâncias a fim de beneficiamos de assistência médica”, frisou.

Já a jovem Ana Benguela, 22 anos, contou que ficou grávida pela primeira vez aos 16 anos de idade e deu à luz em casa, com o auxílio da sua mãe que é parteira tradicional. Na altura em que prestou tais declarações, encontrava-se no oitavo mês de gestação do seu terceiro filho.

O segundo, que também veio ao mundo com o auxílio da sua progenitora morreu, vítima de doença. Contou que foi a sua mãe quem a ajudou a dar à luz ao seu primogénito, há cinco anos.

Ana Ingua Francisco Tchimula, 25 anos, por sua vez, teve o seu primeiro filho aos 17 anos de idade e neste momento já tem quatro. O segundo tem cinco anos, o terceiro três anos e o quarto tem um ano.

Ela e o seu esposo abandonaram a aldeia de Serra Baixa e se instalaram na sede do sector com o propósito de garantirem um futuro melhor aos filhos. Não obstante as dificuldades, não descartou a possibilidade de vir a ter mais filhos.

“Efico e modernismo propiciam gravidez precoce
A socióloga Aida Neusa Gomes Nelson esclareceu que as jovens que fazem o efico, o ritual tradicional que simboliza a passagem da puberdade para a idade adulta, antes dos 18 anos (entre os 12 e os 14 anos) acabam por ficar concebidas muito cedo.

“Depois do efico elas recebem informações que consideram como uma espécie de liberdade para a vida sexual activa. Então, a partir desse momento, podem contrair matrimónio e procriar por ser permitido em termos tradicionais”, explicou.

A docente do Instituto Superior Politécnico Independente da Huila advertiu que tradicionalmente havia uma protecção e aceitação no seio das famílias para esse tipo de situação, o que não se regista hoje.

Não obstante isso, ressaltou que a gravidez precoce é transversal a todas as classes sociais, embora se registe maior índice no seio das famílias economicamente mais desfavorecidas.

 

 

Fonte: OPAÍS

+ informação encontre no jornal impresso já nas bancas!

Staline Satola

Estudante do curso de Informática e Telecomunicações, faculdade de Engenharia, Univerdade Óscar Ribas. Trabalho com gestão de conteúdo desde 2012! Atualmente procurando aprender mas acerca de CMS (WP).

Artigos relacionados

Close
Close

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios
Ir para a barra de ferramentas