Angola

‘ESTAMOS HABITUADOS A LUTAR CONTRA AS ADVERSIDADES’

O Presidente José Eduardo dos Santos proferiu ontem o seu último discurso sobre o estado da Nação referente à legislatura que termina em 2017.

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, manifestou o desejo de que o registo dos eleitores em curso concorra para a transparência das eleições marcadas para 2017. “Que o registo eleitoral em curso e as eleições gerais que vamos preparar se pautem pela lisura e transparência, expressem e correspondam, de facto, à real vontade dos eleitores do país”, disse José Eduardo dos Santos, quando se dirigia aos deputados e convidados à cerimónia de abertura da última sessão legislativa da terceira legislatura do país.

No domínio económico, o Titular do Poder Executivo disse que Angola está a lidar com a crise melhor que outros países. O Presidente da República admitiu falhas na execução dos programas económicos e sustentou que a principal causa do atraso na abertura do país a uma economia diversificada tem a ver com o conflito armado que deixou o país infestado de minas.

O Presidente angolano disse, entretanto, que não obstante a crise, que resulta da baixa do preço do petróleo, a economia do país não estagnou, mas apenas “perdeu a pujança”. Apontou que a implementação dos projectos estruturantes do investimento público, aprovados durante o mandato, “está em curso e a bom ritmo”, à exemplo do término da segunda fase da barragem de Cambambe, a construção da barrem de Lauca e o ciclo combinado do Soyo.

Referiu que o esperado aumento da potência eléctrica é associado ao esforço para o aumento da produção de água potável e do sistema de telecomunicações e transportes para apoiar o desenvolvimento da produção e melhorar o acesso das famílias a esses bens. No seu discurso, o Presidente José Eduardo dos Santos reconheceu que a queda dos níveis da actividade económica motivaram o crescimento negativo do sector não petrolífero da economia, tendo passado de 8,2% em 2014 para 1,14 em 2015 e havendo uma previsão de 1,2% em 2016.

Apontou os sectores da agricultura, pescas, construção e serviços mercantis como os que mais ressentiram os efeitos da crise, embora o seu crescimento tenha sido positivo. O sector da Indústria foi o que mais sofreu com a crise, tendo registado uma variação negativa de 4 por cento, segundo afirmou. O Presidente da República anunciou que presentemente a continuidade do esforço do investimento público “só é possível com recurso ao endividamento”.

Sublinhou que apesar disso, Angola alcançou metade das metas definidas pelas Nações Unidas para o desenvolvimento humano, estando acima da média dos países da África subsaariana. Avançou que a meta do Executivo é até 2025 o país se situar ao nível dos países de “rendimento elevado”.

Inflação baixou

O Chefe de Estado disse que a taxa de inflacção mensal, que em Julho estava em cerca de 4 por cento, em Agosto “baixou para cerca de três e em Setembro ficou em cerca de 2,14%, verificando-se assim a baixa dos preços no mercado e um apreciável aumento do poder de compra dos salários, tendo referido ser meta do seu Executivo atingir uma taxa de inflação mensal de um porcento ou menos.

Segundo o Presidente da República, a presente escassez de recursos orçamentais tem um forte impacto no programa habitacional habitacional, tendo anunciado “medidas activas” para concluir os projectos em curso em várias províncias e que salvaguardem os subprogramas de auto-construção dirigida.

Pobreza reduziu

José Eduardo dos Santos disse que o combate à pobreza tem sido uma prioridade do Governo, sendo positivo o ritmo da sua redução. Contudo, defendeu ser importante um esforço e alargamento das medidas de inclusão social.

Regressão do mercado informal

O Presidente da República revelou que em função das medidas macroeconómicas em curso verifica-se “uma regressão nas últimas semanas no mercado informal dos valores especulativos do dólar e do euro”.

Criminalidade

O chefe de Estado dedicou parte do seu discurso à segurança do país, tendo ressaltado o aumento da criminalidade violenta, a imigração ilegal e os crimes de natureza económica em relação aos quais anunciou medidas concretas de combate.

Para o estadista angolano, a defesa da soberania do país, a garantia da paz e a estabilidade da paz e da defesa das fronteiras do país, “exige forças de defesa e segurança capazes, equipadas, bem treinadas e objecto de uma atenção permanente, cuidando devidamente dos seus orçamentos”.

Política externa

O Presidente angolano chamou a atenção para a necessidade de se ter maior atenção e profundidade aos fenómenos que acontecem no plano internacional “para saber proteger os nossos interesses”, em face do despontar das várias potências que podem tornar o mundo multipolar .

Defendeu a necessidade do diálogo entre países e uma maior neutralidade da ONU, sublinhando que a política de destituição de governos aplicada pelos Estados Unidos não trouxe nem estabilidade nem democracia aos países visados.

No seu discurso, o Presidente angolano falou das ameaças latentes constituídas pelas crises e conflitos em África, muito particularmente nas regiões central e dos Grandes Lagos e pela pirataria no Golfo da Guiné e ainda dos crimes que se manifestam sob a forma de terrorismo e de expansão do fundamentalismo religioso.

O presidente angolano disse que os processos democráticos em África estão a ser convertidos em factores de instabilidade através da contestação dos resultados e da alteração da ordem constitucional dos países.

O estadista angolano defendeu a necessidade do cumprimento da determinação da União Africana tendente ao não reconhecimento dos governos que tomam o poder nas circunstâncias descritas e mais acompanhamento dos processos eleitorais por parte da organização continental.

 

 

 

Fonte: OPAÍS

Imagem: Reprodução

Staline Satola

Trabalho com gestão de conteúdo desde 2012! Atualmente procurando aprender mas acerca de CMS (WP).

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