Austrália alarga ao ciberespaço a luta contra o Estado Islâmico

Austrália alarga ao ciberespaço a luta contra o Estado Islâmico

23 Novembro, 2016 0 Por Staline Satola

A Austrália alargou ao ciberespaço as suas “capacidades ofensivas secretas” para combater o grupo extremista Estado Islâmico (EI), afirmou hoje o primeiro-ministro, Malcolm Turnbull.

“Posso dizer que foram usadas e estão a fazer a diferença na batalha militar”, disse Malcolm Turnbull, num discurso sobre segurança no Parlamento.

A ofensiva secreta centra-se em frustrar os vídeos de propaganda que o EI divulga para recrutar seguidores e combatentes e para promover as suas ações através das redes sociais na internet

Segundo o primeiro-ministro australiano, as operações estão “sujeitas a uma supervisão legal estrita e são consistentes com o apoio à ordem internacional [por parte da Austrália] baseado nas normas e obrigações no âmbito do direito internacional”.

A campanha faz parte da estratégia de segurança no ciberespaço, um plano de 230 milhões de dólares australianos (179 milhões de euros) que Turnbull anunciou em abril para melhorar a segurança dos sistemas informáticos do país.

Este plano foi concebido depois de os computadores do Departamento de Meteorologia da Austrália terem sido alvo, no ano passado, de um ataque informático alegadamente orquestrado pela China.

Turnbull, que qualificou a aliança com os Estados Unidos como a “base” da “arquitetura nacional de segurança”, advertiu no seu discurso para o risco de atentados do EI no sudeste asiático.

“O próximo ataque massivo contra australianos pode ocorrer em algum lugar do sudeste asiático onde o EI fomenta a sua propaganda”.

A Austrália elevou o alerta de terrorismo para “alto” em setembro de 2014 e desde então tem reforçado a segurança e aprovou uma série de leis antiterrorismo para evitar atentados em solo australiano, que foi palco de ataques isolados.

Desde então, as autoridades detiveram 55 pessoas em operações antiterrorismo e identificaram mais 22 através da vigilância de refugiados da Síria e do Iraque, que representam uma fonte de “preocupação para a segurança nacional”.

As autoridades estimam em aproximadamente 200 o número de australianos que apoia ativamente o Estado Islâmico na Austrália, a somar a outros 110 combatentes nas fileiras do grupo extremista no Médio Oriente, dos quais quase meia centena morreu no terreno.