Depois da morte de Fidel com ficará, Cuba?

Depois da morte de Fidel com ficará, Cuba?

28 Novembro, 2016 0 Por Staline Satola

O antigo-líder Fidel Castro morreu esta sexta-feira, aos 90 anos.

Houve quem chorasse e quem gritasse de alegria. Agora, encerrado um capítulo da História, reina sobretudo a incerteza.

Como será Cuba sem Castro? Durante décadas o ‘pai da revolução cubana’ continuou a exercer influência e a marcar a identidade coletiva do país. O que muda com a sua morte?

Após 47 anos no poder, a 31 de julho de 2006, Fidel Castro decidiu afastar-se devido a problemas de saúde e delegou a liderança do regime cubano ao irmão Raúl.

A passagem de testemunho seria definitiva dois anos mais tarde. Raúl Castro foi eleito pelos deputados da Assembleia Nacional em 2008 e reeleito em 2013.

Contudo, a idade avançada (85 anos), e o facto de este já ter dito em várias ocasiões que tenciona deixar o cargo em 2018, deixa antever dúvidas quando ao futuro político da ilha na América Central.

Há quem diga que Alejandro Castro Espín, o filho mais novo de Raúl, pode vir um dia a suceder ao pai. Na calha para a liderança de Cuba está também Miguel Díaz-Canel, seu braço direito.

Além disso, já há uma divisão clara no país de regime comunista, entre aqueles que choram a morte de Castro e aqueles que a celebram.

Para o consultor especialista em Caraíbas David Jessop, citado pela Reuters, a morte de Fidel “elimina uma espécie de tribunal de último recurso para os conservadores, ao mesmo tempo que dá esperança de mais rápidas mudanças e reformas aos jovens reformistas no partido”.

No que diz respeito aos Estados Unidos, a fechada Cuba reatou nos últimos anos as relações com este país, pondo fim a mais de cinco décadas de hostilidades, mas a presidência de Donald Trump pode mudar tudo.

Enquanto Obama descreveu Fidel como uma “figura singular”, para Trump este era “um ditador brutal”.

Além disso, o levantamento do embargo económico depende da aprovação do Congresso norte-americano, que sob a administração Trump terá maioria republicana, contrária ao fim do embargo.

Também o relacionamento comercial entre Cuba e Portugal é ainda incipiente. As exportações de Portugal para o país representaram, no ano passado, 0,09% do exportado, sendo o 55.º cliente de Portugal. Por sua vez, Cuba foi o 74.º fornecedor de bens a Portugal, com 0,04% do total das importações portuguesas.