Exército libanês constrói muro junto do maior campo de refugiados

Exército libanês constrói muro junto do maior campo de refugiados

23 Novembro, 2016 0 Por Staline Satola

O muro em betão que o exército libanês está a construir perto do maior campo de refugiados palestinianos no país destina-se a evitar que “os terroristas” lá se infiltrem, disse hoje uma fonte militar.

Há mais de meio século, na sequência de um acordo, que o exército libanês não entra no campo de Ain Héloué, situado perto das cidade costeira de Saida (sud).

Foi assim criada uma situação de não direito, com o campo tornado um refúgio para extremistas e pessoas procuradas pela polícia.

“A construção do muro começou há algum tempo. O seu objetivo é impedir que os terroristas não se infiltrem no campo de Ain Héloué a partir dos campos vizinhos”, indicou hoje à agência noticiosa AFP uma fonte militar.

Imagens publicadas desde há vários dias nas redes sociais mostram a colocação progressiva de imponentes blocos de betão a oeste do campo de Ain Héloué, o maior e mais povoado dos 12 que estão no Líbano.

Segundo a fonte militar, a construção é uma “medida de segurança” decidida depois da detenção no campo de vários “terroristas” procurados.

Não se trata “de uma prisão ou de um muro de separação (…) e a população (do campo) não será afetada”, garantiu.

Um militante residente no campo, Fouad Othman, interrogou-se sobre a pertinência do muro, “uma vez que existem barragens do exército às portas do campo, que controlam as entradas e saídas”.

Considerou o muto insultante para os refugiados palestinianos, que o comparam ao construído por Israel na Cisjordânia, que se tornou um símbolo da ocupação israelita.

Os libaneses exprimiram a sua indignação nas redes sociais. “Em breve, os filhos de Ain Héloué vão pintar desenhos sobre a Palestina e a liberdade no muro da vergonha”, escreveu um deles.

Mounir al-Maqdah, chefe das forças de segurança palestinianas no Líbano, estimou que “se o governo libanês tivesse tratado há uns anos do dossier da presença palestiniana no Líbano, não teria sido necessário construir um muro de separação ou as torres de controlo”.

Cerca de 54 mil palestinianos, registados na Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a ajuda aos Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla em Inglês), vivem no campo de Ain Héloué, que acolhe também desde há alguns anos milagres de outros palestinianos que fugiram dos combates na Síria.

A maior parte dos 450 mil palestinianos registados junto da ONU como refugiados no Líbano vivem em condições precárias.