Exploração de gás e petróleo suspeita de causar fortes sismos

Exploração de gás e petróleo suspeita de causar fortes sismos

1 Novembro, 2016 0 Por Staline Satola

A exploração de gás e petróleo pode ter contribuído para quatro dos cinco mais potentes sismos ocorridos na bacia de Los Angeles durante o ‘boom’ petrolífero no início do século XX, segundo um estudo divulgado na segunda-feira.

Segundo os cientistas, as atividades petrolíferas podem ter tido um papel nos tremores de terra de Inglewood, em 1920, Whittier, em 1929, de Santa Mónica, em 1930, e Long Beach, em 1933.

Aquelas atividades tinham começado nas proximidades destas zonas pouco antes dos sismos, explicaram Susan Hough e Morgan Page, do instituto norte-americano de Geofísica (USGS, na sigla em Inglês), cujos trabalhos estão publicados no Boletim da Sociedade Sismológica da América.

O sismo de Long Beach, o mais potente deste conjunto, com uma magnitude de 6,4 na escala de Richter, provocou 120 mortos e estragos materiais estimados em 50 milhões de dólares (46 milhões de euros) da época.

Segundo o estudo, estes sismos estiveram provavelmente associados a uma extração de petróleo e gás a certas profundidades. “É possível que se trate de um fenómeno próprio do início do século XX”, apontou Susan Hough.

Mas estas observações poderiam conduzir os cientistas a rever as suas estimativas sobre o risco sísmico da bacia de Los Angeles, bem como melhorar a sua compreensão dos efeitos da exploração petrolífera e gasífera sobre os mecanismos desencadeadores de tremores de terra nos EUA.

“Talvez que a bacia de Los Angeles seja mais estável geologicamente do que se estima atualmente”, avançou Hough.

Os cientistas apoiaram-se em estudos geológicos antigos, informação da indústria petrolífera da época, de agências governamentais e artigos de imprensa. A partir destas fontes, determinaram a amplitude dos sismos e o seu epicentro.

Estudos anteriores tinham concluído que não havia indicação de sismos provocados por atividades humanas nesta região depois de 1935, quando a produção de petróleo diminuiu e sobretudo recorreu a outras técnicas de extração.

Os investigadores da USGS também puderam identificar as correlações entre estes quatro tremores e a produção de petróleo. Mas sublinharam que “o seu estudo não produziu uma ligação de causa e efeito”.

As empresas petrolíferas faziam furos a mais de mil metros de profundidade, o que era claramente mais profundo do que os outros poços da época.

“Quanto mais a perfuração é profunda, mais nos aproximamos das falhas geológicas que estão tectonicamente ativas”, explicou Hough.

“Estas observações mostram que estavam reunidas as condições para que os sismos possam ser desencadeados pelas perfurações do petróleo”, explicou David Jackson, professor emérito de sismologia na Universidade da Califórnia em Los Angeles, que não participou no estudo.

No seu estudo publicado na segunda-feira, os cientistas destacaram também que não se devem comparar os sismos na Califórnia com os termos de terra provocados hoje nos Estados do Oklahoma e Texas por, provavelmente, a injeção nos poços muito profundos de grandes quantidades de água usadas para a extração de gás de xisto através da fraturação hidráulica, o designado ‘fracking’.

Mais de um milhar de sismos de magnitude 3 ou superior foram relatados no Oklahoma em 2015, contra uma média de dois por ano entre 1978 e 2008 neste Estado do Sul dos EUA. Em setembro, o mais forte registado até então atingiu os 5,8 na escala de Richter.

Mesmo que o mecanismo difira, a catástrofe de Long Beach, em 1933, mostra que a atividade petrolífera pode provocar sismos devastadores e mortíferos, sublinhou Richard Allen, diretor do Laboratório de Sismologia da universidade da Califórnia.

“Temos de começar a reconhecer o número crescente de indicações que mostram que a extração de petróleo e gás pode provocar potentes sismos destruidores que devemos levar muito a sério”, insistiu, referindo-se à fraturação hidráulica.