Moçambique: Administrador dos caminhos de ferro nomeado vice do Banco de Moçambique

Moçambique: Administrador dos caminhos de ferro nomeado vice do Banco de Moçambique

30 Dezembro, 2016 0 Por Staline Satola

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, nomeou hoje Victor Pedro Gomes, presidente do conselho de administração dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), como vice-governador do Banco de Moçambique, anuncia um comunicado da Presidência.

Victor Pedro Gomes regressa ao banco central, onde era administrador do pelouro de Mercados, Aprovisionamento e Património, antes de ser chamado, em 2014, para a liderança dos CFM, uma das principais empresas públicas moçambicanas.

Economista de formação, foi ainda administrador do Banco Comercial de Moçambique, atual Millennium bim, a maior instituição bancária do país.

O novo vice-governador vai ocupar o lugar deixado em aberto pela saída de António Pinto de Abreu, que em janeiro deste ano foi nomeado presidente do conselho de administração das Linhas Aéreas de Moçambique.

A indicação de Victor Borges Gomes segue-se à substituição do governador do Banco de Moçambique, em setembro passado, quando Rogério Zandamela substituiu Ernesto Gove ao fim de cinco anos do seu segundo mandato.

O atual líder do Banco de Moçambique era funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 1988, doutorado em Economia pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, e desempenhava as funções de chefe de missão para Djibouti e Somália.

Zandamela chegou ao cargo quando Moçambique enfrentava uma espiral de desvalorização do metical face ao dólar, subida galopante da inflação e ainda os efeitos da queda dos preços de referência das matérias-primas de exportação, da guerra no centro do país e das catástrofes naturais.

A descoberta, em abril passado, de avultadas dívidas garantidas pelo anterior Governo, entre 2013 e 2014, à revelia das contas públicas, levou o FMI a interromper um crédito a Moçambique e os doadores do Orçamento do Estado a suspenderem os seus pagamentos e a agravarem as dificuldades de tesouraria, além de ter disparado os valores da dívida externa.

Entre as suas primeiras medidas, Zandamela aumentou seis pontos percentuais as taxas de juro de referência, ainda assim abaixo da taxa de inflação acumulada, e os coeficientes de reservas obrigatórias dos bancos comerciais.

Depois, o Banco de Moçambique assumiu a gestão do Moza banco, participado pelo português Novo Banco, “para defender os interesses dos depositantes”, e liquidou o Nosso Banco, detido pelo Instituto Nacional de Segurança Social, para evitar “um terramoto” no sistema financeiro.

A intervenção nos dois bancos gerou uma vaga de incerteza sobre a banca moçambicana, mas o Banco de Moçambique acabou por passar a mensagem de que o sistema permanece sólido, com rácios de solvabilidade de 14,5%, muito acima dos 8% mínimos exigidos pelo regulador financeiro.

No encerramento do ano económico, o governador do banco central assumiu um discurso prudente, mas otimista e referiu que a desvalorização da moeda nacional face ao dólar está a diminuir, de 80 meticais em setembro para os 72 atuais, e reviu a sua previsão anterior da inflação anual, de cerca de 30% para 27% em dezembro.

“Temos fortes razões para acreditar que a inflação iniciou um ciclo de abrandamento”, afirmou Zandamela, “numa tendência decrescente que prosseguirá em 2017”.

O crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 deverá rondar os 4%, contra os 6,8% registados no ano anterior, segundo o Banco de Moçambique, e as reservas internacionais, que estiveram em níveis críticos, com uma cobertura de apenas três meses, aumentaram e cobrem agora 3,5 meses.

Um dos principais desafios de Moçambique em 2017 é a recuperação da credibilidade internacional, ao mesmo tempo que tenta reestruturar os encargos ocultos com os credores, depois de em outubro ter assumido incapacidade de pagar as suas prestações, e procura um novo programa de assistência do FMI, que levará ao agravamento das medidas de austeridade monetárias e fiscais já em curso.

Na sua edição de hoje, o semanário Savana, um dos jornais de referência do país, considerou Rogério Zandamela a figura do ano em Moçambique.