Turbantes e o verdadeiro significado

Turbantes e o verdadeiro significado

3 Dezembro, 2016 0 Por Staline Satola

O turbante é um símbolo cultural, que está na moda e esbanja estilo.

O significado deste adorno tão especial para a cultura africana diz muito sobre o processo de formação da nossa própria cultura.
Conhecer as origens culturais do turbante através do tempo e discutir a apropriação cultural deste elemento tão rico é também uma forma de reconhecer e valorizar a nossa identidade afro-brasileira.

Em alta na moda atualmente, o turbante é visto pela maioria das pessoas como um acessório estético que serve para adornar a cabeça e demonstrar charme, estilo e beleza.
Ele é visto como algo que “está” na moda, e muita gente o usa somente por isso.
Mas o turbante é um elemento cultural, que está associado principalmente às culturas asiática, africana e brasileira.
Usar o turbante especialmente para as culturas africanas, afro-americanas e afro-brasileiras é também um símbolo de resistência ao aculturamento, de afirmação de sua identidade cultural e de luta contra a discriminação e o preconceito racial.
A questão é cultural e um ato político, que vai muito além da moda e do estilo.
Os turbantes estão na moda dentro de uma tendência chamada “étnica”.
O que significa que é uma moda pertencente aos hábitos e costumes de um determinado povo.
Este povo, por sua vez, se identifica culturalmente com este estilo porque foi criado historicamente por seus ancestrais.
Este povo se veste de sua cultura, de um estilo próprio, que os distingue, reconhece e valoriza.
Entender a história cultural do turbante, principalmente o africano é se reconectar com nossas origens, com o processo de formação da cultura Angolana e mundial, visto que Angola recebeu influências de vários continentes, desde os portugueses europeus até o povo africano e suas várias culturas.

Turbante – Origem

O turbante é uma grande tira de pano de até 45 metros de comprimento enrolada sobre a cabeça.

Seu uso é muito comum na Índia, em Bangladesh, no Paquistão, no Afeganistão, no Oriente Médio, no Norte da África, no Leste da África (principalmente no Quênia), no Sul da Ásia e em algumas regiões da Jamaica.
A origem do turbante é desconhecida, mas sabe-se que já era usado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. Lá, ele é usado pelos homens e tem a função religiosa de demonstrar e reforçar a fé.
Infelizmente, depois do atentado de 11 de setembro, o uso desse tipo de turbante no exterior também é associado com o terrorismo.
No Oriente, não são apenas os islâmicos que usam o turbante como símbolo da fé.
Os adeptos da religião monoteísta indiana Sikh, também fazem uso desse adereço.

Nesta religião, os homens e mulheres não devem cortar os cabelos e sim utilizar os turbantes para envolvê-los.

Reprodução

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Na Índia, eles ainda são utilizados para proteger a cabeça do clima severo do deserto e representam a casta de quem o usa, o status financeiro e a religião.

África

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Na África, o turbante é parte da cultura do povo, onde os costumes e roupas tradicionais traziam tecidos enrolados no corpo e os turbantes fazem parte dessa indumentária complementando o conjunto.
Eles são usados por homens e mulheres e cada amarração e torção tem um significado diferente.
O Ojá é um tipo de torço ou turbante usado na cabeça nas religiões tradicionais africanas, religiões afro-americanas, religiões afro-brasileiras, podendo ser de vários tipos e cores.
O turbante tem funções sociais, religiosas e claro, fazem parte da moda e do estilo africano.
Nas religiões africanas, o turbante é um elemento e elo com a nossa dimensão espiritual.
O uso do turbante e suas variadas cores carregam significados profundos.
Ele é usado para proteger a cabeça que simboliza os pensamentos e a fé no divino.