Lixo em Benguela: o problema que "continua"

Lixo em Benguela: o problema que "continua"

9 Janeiro, 2017 0 Por Staline Satola

A província de Benguela continua a debater-se com sérios problemas de recolha de resíduos sólidos, devido à inoperância das empresas que, desde Junho de 2014, não recebem os respectivos pagamentos

No final de 2016, o governador Isaac dos Anjos admitiu que a falta de dinheiro no seu governo condiciona os pagamentos.

Até 2014, denunciara Isaac dos Anjos, 40% do orçamento da província era destinado para o lixo e um número considerável de empresas abocanhavam parte dos milhões que o Estado destinava à limpeza das cidades, fundamentalmente no litoral sem o prévio parecer do Tribunal de Contas imposto por lei.

Entretanto, nos dias de hoje, o quadro alterou- se significativamente com a crise cambial que assola o país.

Na cerimónia de cumprimentos de fim-de-ano em Dezembro de 2016, o governante reiterou a falta de dinheiro para o pagamento às empresas de recolha de resíduos sólidos, tendo revelado uma dívida estimada em 16 mil milhões kwanzas para com as operadoras.

Segundo um gestor de uma das empresas de recolha de resíduos sólidos, que não se quis identificar, não existem garantias nenhumas por parte do Executivo de pagamento da dívida ainda no decorrer deste ano.

Contudo, perante tal quadro, a alternativa encontrada pelo governo local foi precisamente a comparticipação financeira do cidadão para combater o lixo, prática reprovada e consequentemente criticada por vários segmentos da sociedade civil, por entenderem que sobre o cidadão já recaem vários encargos sociais, como são os casos das facturas de energia eléctrica e água, argumentando que “no tempo das vacas gordas, esbanjou- se muito dinheiro e hoje pedem sacrifícios ao cidadão? Não pode ser”, defende o sociólogo Martinho Mbangula, em entrevista a uma rádio local.

O que parecia uma mera pretensão governamental, transformou- se num facto. Em grande parte de zonas de Benguela, a comparticipação dos cidadãos é já um facto.

Com o camião a recolher os resíduos sólidos uma vez na semana, moradores pagam entre 200 a 400 kz mês, variando de acordo com os bairros, segundo moradores, “no bairro do Kapiandalo, por exemplo, a gente paga 400 kz/mês”, afirmou Ricardo Jesus.

Geremias Graciano, do bairro do Kalossombekwa, revela que a comparticipação ronda entre os 300 a 400 kz, acreditando que o quadro poderá inverter-se neste 2017, por ser um ano eleitoral “o governo tem que rever este quadro por causa de doenças, como a malária, que podem voltar afectar a nossa província…”

De acordo com alguns cidadãos, se ontem em Benguela convívia-se com lixo que valia milhares e milhões de dólares, hoje, com a crise, está-se perante um lixo “falido e a mendigar. pão” do pacato cidadão, desprovido de recursos.