Famosos

Anselmo Ralph, “Sei que este sucesso vai acabar. Só não sei quando”

As origens estão em Angola mas os portugueses já adotaram Anselmo Ralph como seu. No final de 2016, brincou com a diminuição física ao titular de “Amor é Cego” o álbum que, em 2017, será reeditado com participações de convidados. Sonantes, imagina-se.

A agenda de Anselmo Ralph é isto. Solicitações constantes, contacto com o público e a comunicação social. Espetáculos, promoção, filmagens, gravações. Aeroportos, hotéis e planos ambiciosos.

Quanto tempo sobra para Anselmo Ralph ser um cidadão comum, pai de família e cinéfilo? Dúvidas e questões contornadas pela oportunidade única de ser a voz do coração que muitas cabeças teimaram. Até as canções derrotarem a última barreira: a do ritmo que nem é kizomba.

Ainda consegue ser uma pessoa normal ou já não pode sair à rua?

Estou numa fase em que faço questão de sair à rua. Mas depende do sítio onde vou estar. Centros comerciais evito. Já não vou há bastante tempo mas às segundas ou terças-feiras sou capaz de sair de casa, Tiro uma foto aqui, uma foto ali… O que me pedem são fotos.

Quando se leva uma vida tão agitada, o sossego é necessário?

Sim, procuro esse sossego em casa. Não sou muito de sair. Do que sinto falta é de ir ao cinema. Sempre fui viciado. O meu cinema agora é mais em casa do que em sala. Há dias em que não estou bem disposto e prefiro não sair porque quando saio, vou ter que lidar com o público. Não posso dizer “hoje não dá”. Quando acho que não é o meu dia, prefiro ficar em casa,

Os fãs são atrevidos?

Quando os fãs vêm ter comigo, por mais simpatia que possa demonstrar, há logo um risco no chão. Dali não é possível passar. Às vezes prefiro ignorar alguns toques, brincar com a situação ou ser simpático. Mas às vezes recebemos propostas estranhas (risos).

O que o pode deixar indisposto? A carreira?

Muitas vezes sinto-me tentado por esse lado competitivo mas não me faz bem. Quando começo a sentir-me dessa forma, tento despir-me desse pensamento. Não é saudável. Começas a fazer as coisas para ir mais longe do que outro artista. Quando se trabalha dessa forma, não funciona. Pelo menos para mim. Prefiro dar o meu melhor e não achar que o meu melhor tem que ser melhor que os outros.

Seguir um ritmo pessoal?

Exato. Acima de tudo o meu ritmo. Às vezes dizem-me: “Aquele artista está a fazer aquilo e tu tens de fazer também”. E eu digo: “Calma. Se está a fazer, bom para ele. Mas eu não tenho que fazer também”. Temos que aceitar que a vida profissional é um sobe e desce. Não se está sempre em cima. Uma das virtudes numa luta é saber levar porrada (gargalhada).

Como é que observa o sucesso de outras vozes da música angolana como Nelson_Freitas, Matias Damásio ou C4 Pedro? Há rivalidade?

Às vezes, por sermos bem sucedidos no mesmo território e na mesma época, há “bocas”. Mas não há rivalidade. Dou-me muito bem com o Nelson Freitas e o Matias Damásio. O C4 não me é próximo mas quando nos cruzamos, cumprimentamo-nos. Existe um sentimento de competitividade que, com uma boa medida, é saudável. Obriga-me a dar o melhor e a não correr na pista dos outros.

Na sua pista, qual é a fasquia mais alta?

É continuar a internacionalização._Tenho projetos para o Brasil – vou lá em Abril para gravar um_DVD com participações – e no dia 7 vou para Madrid trabalhar nos singles em espanhol. Quero ganhar outros mercados e manter os que já estão conquistados.

E Portugal, que importância tem nesta altura?

Estou a fazer uma digressão em Angola e estive um mês e meio sem vir cá, o período mais longo desde que comecei a vir a Portugal regularmente. Quando cheguei, pensei: “Já estava com saudades”. Já não consigo ficar muito tempo sem ir a Angola ou vir a Portugal. É 50/50. Tenho uma vida mais agitada em Angola por causa da minha produtora e quando venho a Portugal é mais sossegada. O que Portugal me dá, Angola não dá e vice-versa. É um equilíbrio. Agora, o fator emocional de Angola é insubstituível. A cultura, a comida… Às vezes estou aqui e tenho saudades de um funge [prato tradicional angolano] (gargalhada). Profissionalmente, talvez Portugal seja um pouco mais importante. Do ponto de vista emocional, Angola pesa um pouco mais. E para os meus negócios também.

 

Entrevista completa

Tags

Staline Satola

Estudante do curso de Informática e Telecomunicações, faculdade de Engenharia, Univerdade Óscar Ribas. Trabalho com gestão de conteúdo desde 2012! Atualmente procurando aprender mas acerca de CMS (WP).

Artigos relacionados

Close
Close

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios
Ir para a barra de ferramentas