Israel impõe “regime de apartheid” aos palestinos, diz relatório de agência da ONU

Israel impõe “regime de apartheid” aos palestinos, diz relatório de agência da ONU

16 Março, 2017 0 Por Staline Satola

BEIRUTE/NAÇÕES UNIDAS (Reuters) – Uma agência das Nações Unidas publicou um relatório nesta quarta-feira que acusa Israel de impor um “regime de apartheid”, de discriminação racial contra a população palestina e disse que era a primeira vez que um organismo da ONU fazia claramente a acusação.

Um porta-voz do Ministério do Exterior de Israel comparou o relatório publicado pela Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental da ONU ao Der Sturmer, uma publicação de propaganda nazista fortemente antissemita.

O relatório concluiu que “Israel estabeleceu um regime de apartheid que domina a população palestina como um todo”. A acusação, geralmente feita a Israel pelos críticos do país, é enfaticamente rejeitada pelos israelenses.

Rima Khalaf, subsecretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e secretária-executiva da comissão para a Ásia ocidental, afirmou que o relatório era o “primeiro do tipo” por um organismo da ONU que “claramente e francamente conclui que Israel é um Estado racista que estabeleceu um sistema de apartheid que persegue a população palestina”.

A Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental reúne 18 Estados árabes do oeste asiático e tem como objetivo apoiar o desenvolvimento econômico e social dos países integrantes, segundo o seu site. O relatório foi preparado a pedido dos países membros, disse Khalaf.

Stephane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas, afirmou à imprensa em Nova York que o relatório foi publicado sem que o secretariado da ONU fosse consultado previamente.

“O relatório como está não reflete as visões do secretário-geral (António Guterres)”, disse, acrescentando que o próprio relatório nota que ele reflete as opiniões dos autores.

Os Estados Unidos, aliados de Israel, disseram que estavam revoltados com o relatório.

“O secretariado das Nações Unidas está certo em se distanciar desse relatório, mas ele deve ir além e retirar o relatório como um todo”, disse a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, em comunicado.