Produção do Soyo cobre défice de energia

Produção do Soyo cobre défice de energia

14 Março, 2017 0 Por Staline Satola

O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, garantiu para breve a entrada em funcionamento da primeira unidade da central do Ciclo Combinado do Soyo para mitigar o défice provocado pelo processo de enchimento da albufeira de Laúca.

Em conferência de imprensa realizada à guisa de balanço, no sábado à noite, após o acto de enchimento da albufeira do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca (AHL), presidido pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, o ministro disse que a central do Ciclo Combinado do Soyo, com capacidade de 750 megawatts, e as centrais térmicas do Morro Bento e da Camama, cada uma delas com 50, vão ser postas em funcionamento.

Toda a capacidade térmica disponível actualmente no país, frisou, vai ser posta a funcionar, caso o período crítico de estiagem permaneça no nível “vermelho” em que se encontra.

O objectivo, acrescentou, é compensar o défice e cobrir todo o período em que decorrer o enchimento do reservatório do AHL, programado para até Julho, nas suas quatro fases.

“Vamos ter períodos de restrições por conta do enchimento de Laúca e vai ser agravado ou não, dependendo da chuva.

Se chover, vamos fazer um enchimento mais suave e evitar limitações de água para Cambambe e restrições severas”, sublinhou.

Caculo Cabaça

João Baptista Borges falou sobre a preocupação manifestada pelo Presidente da República quanto ao destino e reenquadramento dos cerca de 8.005 angolanos a trabalhar no AHL, quando o projecto estiver concluído.

O ministro anunciou que o próximo desafio do Executivo é o início da empreitada no Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, a cerca de 30 quilómetros de Laúca.

Sem avançar detalhes, disse que a obra começa ainda em Maio deste ano.
Sobre o destino dos trabalhadores, o ministro disse haver soluções já avaliadas para evitar que fiquem no desemprego.

“Esta é uma das preocupações do Presidente da República. Além disso, tem revelado particular interesse com as questões ligadas à formação e capitação.

Por isso, visitou o centro de formação, construído para treinar aqueles que vão integrar a equipa de operação e manutenção do AHL”, disse, realçando a orientação e o engajamento do Chefe de Estado na conclusão do empreendimento.
Sem precisar montantes, João Baptista Borges lembrou que o investimento envolvido na construção do AHL é avultado, apesar de estar a ser realizado num período económico difícil e, por essa razão, destacou a liderança e a visão estratégica do Presidente da República, que desde a elaboração e aprovação do Plano Nacional de Desenvolvimento, estabeleceu como prioritário o desenvolvimento do sector eléctrico no país.
“Não há desenvolvimento sem produção energética. Aliás um dos indicadores mais importantes que mede o desenvolvimento é o consumo per capita de electricidade”, lembrou João Baptista Borges, para quem a meta que está estabelecida no Plano Nacional de Desenvolvimento até 2025 é a duplicação da taxa de acesso à electricidade para todos os angolanos, independentemente de viverem nas cidades ou em zonas rurais.

O ministro sublinhou que o mandato do Executivo na presente legislatura fica, sobretudo, marcado pelo início e pela concretização de projectos importantes, principalmente o AHL, cujo retorno do investimento está assegurado e que propicia a construção e o funcionamento da indústria que precisa de energias limpas e baratas.

Alargar o acesso

Um dos objectivos do sector, segundo o ministro da Energia e Águas, é universalizar o acesso à energia eléctrica no país, onde cerca de 65 por cento têm origem hídrica, embora seja fundamental a existência de outras fontes para não se ficar dependente da natureza.

João Baptista Borges explicou que é em função disso que foram integradas na matriz energética nacional outras fontes de geração, como é o caso, por exemplo, do gás natural para a central do Ciclo Combinado do Soyo com capacidade para gerar 750 megawatts.

Afirmou que a água vai ser sempre a base da matriz energética nacional por ser um recurso abundante, renovável e limpo, que dá acesso a uma energia barata. Actualmente, lembrou, o país tem uma taxa de electrificação situada nos 33 por cento.

“Queremos duplicar essa taxa e queremos, a longo prazo, universalizar o acesso e fazer com que todos os angolanos tenham electricidade. Temos de promover energia barata com soluções sustentáveis e que resulte daí uma electricidade que possa ser paga por todos”, referiu.

Esquema de restrições

Sobre o esquema de restrições a serem feitas, enquanto durar o processo de enchimento da albufeira de Laúca, o ministro lembrou que a questão vai continuar a ser tratada com base num programa que a ENDE vai lançar nos próximos dias e que vai permitir que haja alguma interacção entre a empresa e os consumidores.

Contudo, pediu desculpas aos consumidores, lembrando que “é um sacrifício que vai ser compensado com a entrada em funcionamento do AHL”.
João Baptista Borges explicou que está estabelecido que durante o dia se vai acumular o máximo de água em Cambambe para durante a noite se operar com o máximo de capacidade hídrica para atender as necessidades, reconhecendo não ser possível atingir os 100 por cento, em virtude do período de estiagem, mas também da época de calor.

“Quanto mais calor fizer, mais sobem os níveis de consumo de energia em Luanda. Essa é uma situação que só começa a inverter-se a partir de finais de Maio com o Cacimbo”, notou.

Com a primeira turbina do AHL a entrar em funcionamento em Julho, mais 300 megawatts são introduzidos no sistema, juntando-se assim aos 750 gerados pelo Ciclo Combinado do Soyo, o que compensa a irregularidade hidrológica.

Ainda que não chova, garantiu o ministro João Baptista Borges, o enchimento do reservatório do AHL vai prosseguir.

“Fizemos simulações e em função disso estamos convencidos que vai prosseguir todo este processo. O que pode acontecer é estender-se o período de enchimento, mas não coloca em risco o prazo de entrada em operação da primeira unidade, a 31 de Julho”, disse.

Estiagem prolongada

As restrições já registadas em Luanda devem-se à pouca vazão de água destinada a Cambambe, com uma capacidade instalada de 960 megawatts. “Capanda armazena água, que se destina também a Cambambe e entre estas duas barragens, temos Laúca.

Com o seu enchimento, vamos precisar de reter a água que seria destinada somente para Cambambe. Se estivesse a chover, normalmente, teríamos, nessa altura, seis vezes mais caudal do que temos, comparando com os anos anteriores”, disse.

A permanecer o estado de estiagem, explicou, Cambambe vai produzir menos, ou seja, não vai ter água suficiente para colocar todas as turbinas em funcionamento de modo regular como ocorreu em Dezembro e Janeiro.

Numa referência à situação de estiagem, o ministro explicou que o que está a acontecer é que chove no Cunene, onde não eram registadas chuvas há cerca de quatro anos, e no leste, ao passo que no centro do país, onde sempre choveu, não ocorre desde Dezembro. “Temos de encarar estas situações e encontrar medidas para as contrariar”, salientou.